O futuro imediato
Vez ou outra, situações dão a impressão de que tudo está estagnado. Os longos meses de pandemia continuam arrastando-se, enquanto muitos retomam as rotinas normais, por vontade ou obrigação, e outros tantos seguem confinados em suas casas, como um ato de resistência.
Dia desses, nas videoaulas, alunos perguntaram o que eu achava que devesse ser feito com relação ao possível retorno à convivência escolar. Em nosso caso, classe média paulistana, fato é que as aulas online funcionam – constatei como estudante, espero por isso como professor – e, sendo assim, é viável que caiba a nós estarmos fora de circulação. É bem menos rico do que o cotidiano escolar e a incerteza da durabilidade alimenta esperanças e angústias, mas é o correto a ser feito.
Fora desse recorte, preocupam as enormes perdas educacionais e suas consequências nas próximas décadas. A conta é alta. Alunos estão pagando hoje, a sociedade pagará amanhã. De todo modo, não cabe ao educador fugir ao posicionamento. Não disse o que acho, porque não sei, mas os convidei à reflexão, como eles convidaram a mim.
Tudo indica que os próximos dias guardam o posicionamento definitivo das autoridades sobre retornar ou não às atividades escolares ainda este ano. Dependo disso para saber por quantos mais dias estender-se-á meu distanciamento. Até lá, alimento dúvidas.
Meus questionamentos passam não só pela incerteza de quais atividades são realmente seguras como também por quanto tempo mais eu darei conta de seguir firme convivendo diretamente com não mais do que quatro pessoas. Às vezes, conhecidos que sigo no Instagram fazem parecer que não há nada acontecendo e que não há riscos. Eu invejo-lhes um pouco, mas não tiro deles a culpa da irresponsabilidade e o peso da indiferença.
Sinto falta da vida acadêmica, das aulas presencias, de ir ao cinema, de fazer teatro, de tomar sorvete na rua, frequentar restaurantes, trocar olhares com rapazes, de cantar em show lotado, dançar na noite, das reuniões em família, e, principalmente, de fazer tudo isso com minhas amigas. Ouvi uma famosa apresentadora de televisão dizer que nos momentos de dúvida e ansiedade sempre procura resolver o futuro mais imediato, como passear com o cachorro ou colocar os filhos para dormir. Eu não sei o certo a se fazer agora, a ciência segue rodeada de hipóteses ainda não comprovadas e as autoridades responsáveis ainda não se pronunciaram. Resolvo meu futuro mais imediato permanecendo em casa, pela minha própria saúde, pela saúde dos que se distanciaram comigo e porque responsabilidade social se constrói todos os dias.
Comentários
É com imenso prazer que eu venho te agradecer por essa oportunidade de me fazer pensar a respeito deste impasse tão pungente na nossa realidade atual, ao mesmo tempo que subjetiva para muitos, claro enigma. O posicionamento nestes momentos são imprescindíveis!!! (perdoa os erros ortográficos pelo amor de deus KKK)
Obrigada, Serginho! Sdd imensa ❤️❤️