Mistério sempre há de pintar por aí
Há vivências homéricas, apropriações conscientes de pertencimento histórico, situações e pessoas que ampliam a intuição de não estarmos sozinhos e de sermos fluxo de um processo longo e humano de agir e construir nossa vã humanidade. Experiências que denunciam algo de superior e elevado na realidade do mundo, sensações curiosas de que o etéreo toca a imanência Sempre admirei Caetano Veloso, seu jeito quase anárquico de pensar e comentar os acontecimentos costumam dar certeza de que certezas não as temos nenhuma. Demorei para descobrir Gilberto Gil, não que eu não soubesse de sua existência, mas levei mais tempo para cruzar a minha com a dele. A primeira vez que o vi foi na Virada Cultural, em 2012. Tempos idos de um Brasil que dava gosto expressar brasilidade. Naquele ano, nós, brasileiros, ainda sentíamos alegria em tomar as ruas, ver pessoas, celebrar a vida, encontrar os mestres. Uma amiga da época sugeriu irmos ao show na Praça Júlio Prestes, eu, então menos avesso às intemp...