Postagens

Mostrando postagens de outubro, 2020

O Livro das Mutações

A China despertou meu interesse quando ouvi falar pela primeira vez do oráculo I Ching – o Livro das Mutações . Eu era bem novinho quando o li pela primeira vez, em uma edição bonita, toda esclarecedora, não só da prática oracular, como, principalmente, da filosofia que o embasa. Em síntese, e tomando a liberdade de reduzir imensamente a grandeza do pensamento, o Livro das Mutações afirma que tudo muda. Melhor: que a lei da natureza é a mudança. Simples e legítimo, mas movimentou minha cabeça de pré-adolescente católico. O mais interessante foi que me aproximei do livro por seu caráter oracular; aos treze ou catorze anos, é realmente possível acreditar que você pode desvendar o futuro com alguns palitos ou moedas. A rasteira na minha expectativa não foi pequena, mas o efeito foi melhor do que o esperado. O I Ching não projeta a mutação na dimensão transcendente, sim a reconhece no mundo natural. Trocando em miúdos, a mutação não é algo a se esperar da dimensão espiritual como u...

Desconecta

Todo mundo já cogitou deixar as redes sociais. Elas estão em todas as classes, em todas as faixas etárias e em todo canto. Tornaram-se uma constância e uma necessidade contemporânea. Se não agora, em pouco tempo, será inimaginável o convívio social sem o intermédio delas.  Lembro-me de quando eu, no início da adolescência, fiz alguns retiros espirituais com os católicos com os quais cresci. Para além do impacto de uma experiência nova ainda bem jovem, recordo com clareza o quanto parecia-me desafiador passar tantos dias sem televisão – internet móvel, à época, não era onipresente. Participei de muitos outros desses e fui compreendendo que uma parte do processo era justamente desconectar das mídias e das informações que nos chegam sem necessariamente terem sido buscadas, mas às quais estamos constantemente expostos e habituados. A televisão, pobre coitada, é a prima velha do que viriam a ser as redes sociais. Onipresente, viciante, meio lúdica, meio infernal. Por mais que no...

Não é uma partida de futebol

Há cerca de trinta dias das Eleições Municipais e com uma grave pandemia ainda acontecendo, o interesse do brasileiro pela escolha de vereadores e prefeitos parece longe de algum nível relevante de comprometimento.  É de fato difícil manifestar interesse por política quando mais de 150 mil vidas foram perdidas por irresponsabilidade daqueles que estão agora no poder e que são os responsáveis diretos por gerir as orientações ao cidadão e administrar o sistema de saúde.  Frutificou na cultura brasileira ao longo do tempo uma certa ojeriza pelo sistema politico, nosso caráter irreverente como que pouco reconhece a relevância do pleito e elege párias e escroques como Tiriricas e Bolsonaros. Consciência política e, sobretudo, uma legítima corresponsabilidade eleitoral constroem-se através daquilo que nos foi mais neglicenciado ao longo da história: educação de qualidade e justiça social. Não se pode esperar de um povo que não recebe educação pluralista e de qualidade qualqu...