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Mostrando postagens de janeiro, 2021

Como as sociedades lidam com doenças

Diferentes enfermidades despertaram o pavor e a ansiedade de nossa miséria humana ao longo dos séculos. A crise do coronavírus não seria uma novidade em si mesma se nossas organizações sociais não tivessem mudado tanto e tão rápido nas últimas sete ou oito décadas. Para além da necessidade evidente de imunizar a população e da desesperadora incompetência do poder público, uma outra realidade despertou atenção ao longo dos meses. Se é fato que a medicina avança a passos largos, acende meu interesse um outro viés da questão: como as sociedades lidam com doenças? A hipótese que vem a mente é que, diante do desconhecido ou pouco informado, a sociedade responde com preconceito. Essa é a resposta imediata: se eu não conheço ou não sei lidar, quero manter distância. Foi assim com a tuberculose, foi assim com o HIV. E, quando a ciência começa a desvendar o enigma, o preconceito, antes talvez justificável, torna-se estigma ou irresponsabilidade. Estigma como o que ocorre com a infecção po...

Uma terra prometida

Há momentos sublimes na História. Nossa geração testemunhou um deles há exatos doze anos: em 20 de janeiro de 2009, Barack Hussein Obama era empossado presidente dos Estados Unidos da América, o primeiro presidente negro no mais alto cargo da até então inquestionável potência mais poderosa do mundo. O fato de Obama ser um homem preto em um país forjado nas mazelas da escravatura sem dúvida valida de maneira sólida o que ele representava para o mundo e dimensiona o peso de seu valor histórico. Todavia, é preciso olhar Barack Obama para além da evidência étnica, sem deixar de incluí-la, e tentar compreender um pouco o que significou o seu governo.  Tenho clara memória de quando, Angela Merkel, primeira ministra alemã, com a solidez rígida que a caracteriza, despedia-se em um misto de melancolia e orgulho do colega que tanto representava para o mundo. Obama, durante os dois mandatos, pareceu perseguir da melhor maneira que pode a responsabilidade de ser Nobel da Paz. Se talvez as arma...