Como as sociedades lidam com doenças
Diferentes enfermidades despertaram o pavor e a ansiedade de nossa miséria humana ao longo dos séculos. A crise do coronavírus não seria uma novidade em si mesma se nossas organizações sociais não tivessem mudado tanto e tão rápido nas últimas sete ou oito décadas. Para além da necessidade evidente de imunizar a população e da desesperadora incompetência do poder público, uma outra realidade despertou atenção ao longo dos meses. Se é fato que a medicina avança a passos largos, acende meu interesse um outro viés da questão: como as sociedades lidam com doenças? A hipótese que vem a mente é que, diante do desconhecido ou pouco informado, a sociedade responde com preconceito. Essa é a resposta imediata: se eu não conheço ou não sei lidar, quero manter distância. Foi assim com a tuberculose, foi assim com o HIV. E, quando a ciência começa a desvendar o enigma, o preconceito, antes talvez justificável, torna-se estigma ou irresponsabilidade. Estigma como o que ocorre com a infecção po...