Curadoria de inutilidades
Nada é mais elucidativo de saúde mental do que a observação de como estamos percebendo a passagem do tempo. Do ponto de vista natural, o ritmo do tempo é sempre o mesmo. É verdade também que o tempo oscila, as estações do ano, por exemplo, alteram radicalmente a duração do dia e da noite. Ou seja, o tempo é constante, mas muda. O ritmo do tempo é sempre o mesmo, mas nossa percepção sobre ele não o é. Exortados a ficar mais em casa, fico me perguntando o que as pessoas fazem com o tempo. Ainda que parcela significativa da população continue a sair regularmente, estamos todos permanecendo mais em nossas residências do que costumávamos. E o que se faz com tempo? Em São Paulo, sobretudo durante os dias de isolamento absoluto por conta da Covid, meu tempo transcorreu bem lentamente. Os dias se arrastaram, e eu os preenchi como pude: leitura, meditação, séries de tv, yoga e videogame. O ocupei, mas não o preenchi. Em São Roque, de volta às aulas on-line, as atividades são basicamente...