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Mostrando postagens de maio, 2021

Escola

Desde que retornei a São Paulo, cerca de dez dias atrás, uma única questão não sai da minha cabeça: por quanto tempo mais isso vai durar? Já estamos há quase quinhentos dias imersos em incertezas e negacionismo. É bem verdade que algumas pessoas retomaram suas vidas como se praticamente nada estivesse acontecendo, por dever de ofício ou puro egoísmo, como também é fato que uma parcela da população, ainda que ínfima, tomou a tal vacina. Mas não é possível que as pessoas considerem que esteja tudo bem. Sem nem ao menos mencionar a quantidade absurda e crescente de mortos por causa da pandemia, a ameaça de novas cepas ou ainda o surreal atraso de uma campanha consistente e continua de vacinação em massa, é impossível que ainda assim pessoas achem que a vida voltou ao normal e que já se pode viver como se não houvesse amanhã – do jeito que a coisa anda, talvez nem haja mesmo.  Estive com uma pequena parte dos meus alunos nos últimos dias, e confesso que senti alegria, principalme...

Mamacita

O que você faria se, por um prazo determinado, cada passo da sua vida fosse devassado por milhões de pessoas; visto, revisto, comentado e julgado por toda nação? A premissa central do Big Brother segue aterrorizante e sedutora há duas décadas.  Os tempos mudaram, é verdade. Atualmente, famosos e anônimos oferecemos detalhes de nossas intimidades na praça pública das redes sociais sem muito pudor. Mas por mais fúteis ou mal calculadas que sejam nossas postagens, nada chega perto do escrutínio diário na maior rede de televisão do país e em dezenas de plataformas e perfis dedicados exclusivamente ao programa.  Pelo segundo ano consecutivo, aliás, acompanhar o BBB foi uma espécie de alívio cômico à catástrofe nacional em que nos metemos. A questão é que o Big Brother Brasil leva mais longe o limite entre ficção e realidade ao qual somos tão afeiçoados. Ele não é exatamente a realidade, mas também nunca a deixa de ser. A edição deste ano tocou em feridas sérias ao escancara...