Desconecta
Todo mundo já cogitou deixar as redes sociais. Elas estão em todas as classes, em todas as faixas etárias e em todo canto. Tornaram-se uma constância e uma necessidade contemporânea. Se não agora, em pouco tempo, será inimaginável o convívio social sem o intermédio delas.
Lembro-me de quando eu, no início da adolescência, fiz alguns retiros espirituais com os católicos com os quais cresci. Para além do impacto de uma experiência nova ainda bem jovem, recordo com clareza o quanto parecia-me desafiador passar tantos dias sem televisão – internet móvel, à época, não era onipresente. Participei de muitos outros desses e fui compreendendo que uma parte do processo era justamente desconectar das mídias e das informações que nos chegam sem necessariamente terem sido buscadas, mas às quais estamos constantemente expostos e habituados.
A televisão, pobre coitada, é a prima velha do que viriam a ser as redes sociais. Onipresente, viciante, meio lúdica, meio infernal. Por mais que nos seja fundamental, hoje, o tipo de conexão que os diversos canais de mídia ofertam, há outras duas formas de conexão que parecem passar longe desse nível de interatividade e dos quais estamos nos habituando a perder o traquejo: o contato social direto, sem intermédio eletrônico, e o contato interior, consigo mesmo.
Muitos amigos com mais de vinte anos manifestam saudosismo de um tempo sem redes sociais, embora, claro, reconheçamos seu valor e utilidade em um mundo cada vez mais tecnológico. A mim, já couberam muitas paranóias com elas. Esforço-me para encontrar um meio termo. Aterroriza-me a ideia de minhas relações estarem condicionadas à virtualidade.
Sempre questiono o que tanto me amedronta. Penso que, em primeiro lugar, a dependência. Em segundo, não menos importante, a ausência de contato direto com outros seres humanos, reconhecendo sua dignidade, presença, emoções e reações. Lamento profundamente a lógica do “contatinho”. Contatinho é alguém menos humanizado. Conheço pessoas com grande habilidade de conversa e conquista nas redes, ironicamente, as mesmas que desaprenderam a consideração pelas pessoas, o cuidado com o outro e o entendimento de que os afetos são consideração, construção, manutenção e respeito.
Uma vez me entendi contatinho. Doeu como um soco. Me senti desvalorizado e não reconhecido em minha dignidade humana. Foi uma lição. Passei a estimar imensamente cada instante com as pessoas, passei a escolher manifestar que ninguém é descartável. Ninguém é só um número na agenda ou um perfil no Instagram. Somos todos pessoas desejosas de sedimentar afetos e esperançosas de não sermos objetos. A virtualidade pode nos condicionar cada vez mais a relacionamentos rasos, que nos humanizemos. Todos merecemos afeição e cuidado, sem reificação.
Comentários
Recentemente, perdi minha vó, momento esse que estamos sempre condicionados a viver, propulsora de profundas viagens com o nosso interior, e nosso propósito em vida, e todas as infinitas abordagens que se podem ter sobre nossa passagem. Após algumas horas de luto, meu pensamento foi abstraído inconscientemente em ações de cunho social com a rede, em exprimir essa dor para o oceano de internautas que existe na internet, onde minha dor seria absorvida e decomposta no mar de lixo superficial que pouco se importa com a minha perda, e retrai todos os engajamentos de espírito expelido por mim, já que sua real necessidade se compactua em somente com os números de engajamentos e os efeitos narcisistas sobre seus usuários que projetam dependência. Rapidamente, voltei a ser senhor de mim, e repudiei com grande veemência esse pensamento. As redes hoje estão em um nível epidérmico com os seres humanos, sua análise pela falta de afetividade com nós mesmo causada por essa ornamentação de breviedades de relações, ressalva o perigo que as mídias sociais resguardam em sí, e é simplesmente amável sua abordagem com o catolicismo, que provavelmente são influenciadora nesse seu estado de espírito caridoso em defender a nossa humanidade em respeito e carinho.
Recentemente, perdi minha vó, momento esse que estamos sempre condicionados a viver, propulsora de profundas viagens com o nosso interior, e nosso propósito em vida, e todas as infinitas abordagens que se podem ter sobre nossa passagem. Após algumas horas de luto, meu pensamento foi abstraído inconscientemente em ações de cunho social com a rede, em exprimir essa dor para o oceano de internautas que existe na internet, onde minha dor seria absorvida e decomposta no mar de lixo superficial que pouco se importa com a minha perda, e retrai todos os engajamentos de espírito expelido por mim, já que sua real necessidade se compactua em somente com os números de engajamentos e os efeitos narcisistas sobre seus usuários que projetam dependência. Rapidamente, voltei a ser senhor de mim, e repudiei com grande veemência esse pensamento. As redes hoje estão em um nível epidérmico com os seres humanos, sua análise pela falta de afetividade com nós mesmo causada por essa ornamentação de breviedades de relações, ressalva o perigo que as mídias sociais resguardam em sí, e é simplesmente amável sua abordagem com o catolicismo, que provavelmente são influenciadora nesse seu estado de espírito caridoso em defender a nossa humanidade em respeito e carinho.